(PT)
Neste projeto fotográfico documenta-se a forma como o ser humano lê/pesquisa a notícia de quem faleceu. A captação de quem lê a notícia dá conta de como está: só, rodeado de outros, atento. Fica a dúvida se quem lê a notícia conhecia ou desconhecia o falecimento. A ausência do rosto na fotografia, oblitera a emoção, mas a solidão ou a partilha na leitura da notícia dão conta do quanto o falecimento é um acontecimento que se procura em público.
O projeto aborda também questões sociológicas pelo facto de mostrar que faixas etárias ainda procuram detalhes sobre o falecimento de alguém por meios analógicos vivendo hoje num paradigma em que essas notícias são divulgadas digitalmente.
“Memento Mori” é uma clara referencia à expressão que vem do latim. Com isto pretende-se que o anúncio fúnebre seja um mero espelho para a realidade de quem o lê, como se de um edital medieval, preso na árvore, se tratasse.
Todas as fotografias são um “memento mori”. Fotografar é participar na mortalidade de uma outra pessoa ou objeto. Ao selecionar e fixar um determinado momento, cada fotografia testemunha a inexorável dissolução do tempo. – Susan Sontag, “Ensaios Sobre Fotografia”,2012, Quetzal.
(ENG)
This photographic project documents the way in which human beings read/research the news of someone who has passed away. The capture of those who read the news shows how they are: alone, surrounded by others, attentive. The question remains whether those reading the news knew or were unaware of the death. The absence of the face in the photograph obliterates the emotion, but the loneliness or sharing in reading the news shows how death is an event that is sought out in public.
The project also addresses sociological issues by showing that age groups still seek details about someone’s death through analogue means, today living in a paradigm in which this news is disseminated digitally.
“Memento Mori” is a clear reference to the expression that comes from Latin. With this, the funeral announcement is intended to be a mere mirror for the reality of those who read it, as if it were a medieval edict, stuck in a tree.
All photographs are a “memento mori”. Photographing is participating in the mortality of another person or object. By selecting and fixing a specific moment, each photograph bears witness to the inexorable dissolution of time. – Susan Sontag, “Essays on Photography”, 2012, Quetzal.
Exposição “Tempo e Existência”, Sociedade Martins Sarmento. Guimarães. 2025.







































Outras fotografias do projeto.

Cemitério e paisagem.
Monsaraz, Reguengos de Monsaraz – Évora. Portugal.
Abril de 2025.

Anúncios fúnebres em persiana.
Pevidém, Guimarães – Braga. Portugal.
Fevereiro de 2025.

Covas com nome.
Castro Laboreiro, Melgaço – Viana do Castelo. Portugal.
Agosto de 2023.